| Aos 7 anos aproximava-me, pela primeira vez, da mesa da Eucarístia.
Depois de longos preparativos, ali estava com o coração palpitante, cheio de emoções e temores, para receber Jesus. Os temores corriam por conta de não estar devidamente preparado, ou mesmo de não ser merecedor daquele que, pela primeira vez, ia, efetivamente, entrar em meu coração.
Quanto respeito e quanto medo em ofendê-lo, meu Deus!
Meu coração batia acelerado e só foi acalmar depois de tudo passado. Aí sim, pude ver que Jesus não me assustava e comecei a conhecê-lo melhor.
Jesus é amor, dizia a catequista. Porém, em meu entendimento de criança e com tantas recomendações de uma reta conduta, sentia-me receoso e inseguro de não fazer a coisa certa.
Passado tudo, lembro-me do café-com-leite servido logo após, e de tê-lo deixado respingar no meu terno branco, todo engomadinho e extremamente branco que mamãe carinhosamente cuidara. Terno que também foi protagonista de minha queda no córrego cheio, quando buscava o leite na chácara de um tio. Aquela semana, após a primeira comunhão, marcou minha desobediência às ordensde mamãe para que nao fosse a chácara já vestido com a roupa da primeira comunhão. Eu que já estava pronto para assistir à missa e comungar novamente, fiu de enconro às águas barrentas. Talvez, no fundo, no fundo, não tenha tido a intenção do desobedeer, mas sim o deseo ardente e apressado de voltar à mesa Euristica. estava realmente ansioso por receber Jesus que não mais parecia um desconhecido, e sim um amigo que me esperava.
Hoje, já com os pés na 3ª idade, convidado para ser Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística volto a me ssentir como na primeira comunhão, com sobressaltos e temores parecidos. Será que sou digno de distribuir a Hóstia Sagrada? Uma pergunta que volta e meia esta a me incomodar.
Contudo, as palavras de Pe. José Cândido dizendo que esta é um serviço, de certa forma me aliviaram. Afinal, se Deus, que é infinitivamente misericordioso e bom, quer que O sirva, por que não lhe atender?
Agora, passada a cerimônia de apresentação dos novos Ministros, sinto-me invadido pela mesma emoção da primeira comunhão. Vejo-me novamente excitado em saber que vou entregar, pela primeira vez, o corpo e o sangue de Jesus.
Que missão há de mais augusta que entregar o próprio Cristo àqueles que o procuram?
Do fundo de meu coração, ante tamanha incumbência, só me resta agradecer e, humildemente, dizer a Jesus MEU SENHOR E MEU DEUS!
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