Um dos pontos mais importantes da reforma litúrgica é a redescoberta do povo de Deus como assembleia celebrante, reconhecendo o seu protagonismo na ação sagrada e cultual, tornando-a então sujeito da liturgia.
Por sua natureza, a Liturgia é estruturada em linha hierárquica, dados os diversos ministérios dos membros da assembleia celebrante, estes sempre a serviço da Liturgia. Assim lemos em SC 11: “Por isso, os sagrados pastores devem vigiar que na ação litúrgica não só sejam observadas as leis para a celebração válida e lícita, mas ainda que os fiéis nela tomem parte de maneira consciente, ativa e frutuosa”, participação aqui então entendida na linha sacramental e, por isso mesmo, mistagógica.
Neste trabalho, dentre as diversas formas de participação que acontece em toda a celebração, queremos destacar as aclamações litúrgicas, ora com seu sentido de bendição, ora de exaltação, ora de júbilo universal, como ainda de ação de graças, de súplica e de acolhida. Vejamos então as aclamações nos diversos momentos da celebração eucarística:
NOS RITOS INICIAIS
Como resposta à saudação inicial do presidente, a assembléia vai aclamar: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!” , e aqui devemos notar que o bendizer é próprio da oração litúrgica, como herdamos da tradição judaica. Na Liturgia, com essa aclamação dos fiéis, dá-se por constituída a assembleia celebrante. Ainda nos ritos iniciais, vamos ter o canto do “Senhor, tende piedade” (Kyrie eleison), que é, ao mesmo tempo, de aclamação ao Senhor e de súplica de sua misericórdia.
NA LITURGIA DA PALAVRA
O canto de aclamação, que antecede imediatamente o Evangelho, é uma aclamação de acolhida e de saudação ao Senhor pela assembleia. Em resposta ao diácono ou ao sacerdote, no início e no fim do evangelho, os fiéis aclamam também “Glória a vós, Senhor!”.
NA LITURGIA EUCARÍSTICA
Também na apresentação dos dons, há uma aclamação bendizente da assembleia quando o presidente recita em voz alta a oração prescrita, também bendizente: “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão... pelo vinho..., a que os fiéis respondem, aclamando: “Bendito seja Deus para sempre!”.
Uma grande aclamação está presente no início da Oração Eucarística, após o Prefácio: é o “Santo”, entendida também na liturgia como aclamação universal. É cantada por todo o povo e pelo sacerdote. Mais propriamente nesse momento, a assembléia terrestre se une aos espíritos celestes, em liturgia única, aclamando o nosso Deus, três vezes santo, como proclamam os serafins.
Durante a Oração Eucarística, e variando de acordo com cada uma, estão as aclamações dos fiéis, como plena participação litúrgica. Dentre essas aclamações, destaca-se a aclamação memorial após o “Eis o mistério da fé!”, destacando-se entre elas a primeira, não só por seu valor anamnético (memória do Sacrifício da Cruz), como pela proclamação da ressurreição no “hoje” da liturgia e de nossa vida, e ainda pelo seu conteúdo de fundo escatológico: “Vinde, Senhor Jesus!”
O Amém das orações presidenciais é além de conclusivo também aclamativo, destacando-se o Amém após a doxologia final (“Por Cristo, com Cristo e em Cristo...”), chamado, por isso, de “grande Amém”, pois a Oração Eucarística é a mais importante oração presidencial.
NOS RITOS DE COMUNHÃO
Ao embolismo acrescentado ao Pai Nosso, rezado pelo sacerdote, o povo vai responder com uma aclamação doxológica, isto é, de louvor: “Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!”, aclamação que herdamos da igreja primitiva (cf. Didaqué 9,4).
João de Araújo
<< voltar
|