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  HOMILIA DO XXXI DOMINGO ANO A (30/10/2011)
 

 

ELES FALAM, MAS NÃO PRATICAM (Mt 23,3)

 

 

I. TENSÃO E CONFLITO NA RELAÇÃO DE JESUS COM OS LÍDERES JUDAICOS

 

A tensão entre Jesus e os mestres da lei e os fariseus que começa no capítulo 21 de São Mateus atinge seu ponto máximo neste capítulo 23. A partir daqui já se tece a trama para a condenação de Jesus. Possivelmente sabedor das conseqüências terríveis desta situação conflitiva poderíamos perguntar porque Jesus não ameniza o seu discurso e resolve mais diplomaticamente este impasse. O próprio texto do evangelho indica as respostas a esta questão. Jesus age no intuito de orientar corretamente a consciência moral e religiosa das pessoas, pois o desvio de consciência é a perdição do ser humano. Jesus não podia transigir em um ponto fundamental para a salvação das pessoas. Ele respeita o lugar e as atribuições dos líderes e pede obediência ao que eles ensinam, mas critica-os duramente na sua incoerência.

 

 

II. CRISE DE CREDIBILIDADE DA PALAVRA


Neste ponto o Evangelho deste domingo chama nossa atenção para o risco de credibilidade da palavra humana. Quando uma cultura, uma coletividade, uma civilização chega a este ponto, ela corre sério risco de extermínio. O cimento que dá consistência à edificação das relações humanas é o cumprimento da palavra dada e empenhada. Quando a palavra não tiver mais credibilidade, tudo cai no vazio. As relações humanas se rompem. A relação com Deus vai se transformar em formalidades. Os líderes religiosos acabam por exercer uma opressão religiosa das consciências. A palavra é a forma privilegiada de comunicação entre nós e de exposição da nossa interioridade. Se ela perde sua credibilidade, entre as pessoas vigora a traição, entre amigos a deslealdade, e o campo restará aberto para o cultivo do ódio e da violência.

 

 

III. ALERTA A TODAS AS LIDERANÇAS

 

Quando os líderes dão mau exemplo, a sociedade, aos poucos, toda se corrompe e o tecido social se rompe. No nosso mundo hoje se fala à boca cheia de direitos humanos, justiça social, liberdade, direitos iguais. No entanto campeia a corrupção em todos os âmbitos, a bandalheira, a promiscuidade, a permissividade destrutiva, a violência, a malandragem, a indisciplina e a irresponsabilidade. Não se confia nas palavras porque não se confia em ninguém. Todo mundo é usado por todo mundo. A verdade e a lealdade estão falidas. Os nossos políticos proclamam, com solenidade, mentiras deslavadas. A crise da credibilidade atinge a religião de maneira escandalosa pela sua utilização indevida por líderes inescrupulosos como forma de ganhar dinheiro fácil explorando a boa-fé alheia. Até nossa Igreja em muitas partes do mundo vive momentos de angústia pela prevaricação grave e pública de alguns dos seus ministros. Diante deste quadro cabem as severas palavras de Jesus. Por isto, Jesus nos alerta que de fato devemos ter cuidado com todos os que se intitulam guias, mestres, pais, gurus. Nem mesmo a Igreja é ponto de chegada. Ela é instrumento, meio para chegarmos a Cristo. Ele assim o quis. E é por esta Igreja, santa e pecadora, que nós entramos em comunhão com o Senhor nesta Eucaristia para termos a força necessária, não só para sobrevivermos a este mundo tão difícil, mas também para seremos capazes de transformá-lo.

 

 

 

 

Pe. José Cândido – Pároco

 

 

 

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